quinta-feira, 3 de março de 2011

Maria,Mãe de Deus

"Donde me vem a dita que a Mãe de meu Senhor venha visitar-me?" (Lc 1,43) 


O título  "Théotokos" (Mãe de Deus)foi dado à Maria durante o Concílio de Éfeso (431), na Ásia Menor. A heresia de negar a maternidade divina de Nossa Senhora é muito anterior aos protestantes. Ela nasceu com Nestório, então Bispo de Constantinopla. Os protestantes retomaram esta heresia já sepultada pela Igreja de Cristo. Este é um problema de Cristologia e não de Mariologia. Vamos demonstrar através dos exemplos abaixo a autenticidade da doutrina católica. 

Maria é Mãe de Deus, porque é Mãe de Jesus que é Deus. 

Se perguntarmos a alguém se ele é filho de sua mãe, se esta verdadeiramente for a mãe dele, de certo nos lançará um olhar de espanto. E teria razão. O homem como sabemos é composto de corpo, alma e espírito. A minha mãe me deu meu corpo, a parte material deste conjunto trinitário que eu sou, sendo minha alma e espírito dados por Deus. E minha mãe que me deu a luz não é verdadeiramente minha mãe? 

Apliquemos, agora, estas noções de bom senso ao caso da Maternidade divina de Nossa Senhora. Há em Nosso Senhor Jesus Cristo duas naturezas: a humana e a divina, constituindo uma só pessoa, a pessoa de Jesus. Nossa Santa Mãe é mãe desta pessoa, dando a ela somente a parte material, como nossa mãe também o faz. O Espírito e Alma de Cristo também vieram de Deus. Nossa mãe não é apenas mãe do nosso corpo, mas mãe de nossa pessoa. Assim também Maria é Mãe de Cristo. Ela não é a Mãe da Divindade ou da Trindade, mas é mãe de Cristo, a segunda pessoa da Santíssima Trindade, que também é Deus. Sendo Jesus Deus, Maria é Mãe de Deus. 

A negação da Maternidade divina de Nossa Senhora é uma negação à Verdade, uma negação ao ensino dos Apóstolos de Cristo. 

Provas da Sagrada Escritura 

A Igreja Católica, sendo a única Igreja Fundada por Cristo, confirmada pelos Apóstolos e seus legítimos sucessores; sendo Ela a escritora, legitimadora e guardiã da Bíblia, jamais poderia ensinar algo que estivesse contra o Ensino da Bíblia. 

Vejamos o que a Sagrada Escritura ensina sobre a Maternidade Divina de Nossa Senhora: 1. O profeta Isaías escreveu: "Portanto, o mesmo Senhor vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel [Deus conosco]." (Is 7,14). Claramente o profeta declara que o filho da virgem será divino, portanto a maternidade da virgem também é divina, o que a faz ser Mãe de Deus. 2. O Arcanjo Gabriel disse: "O Santo que há de nascer de ti será chamado Filho de Deus" (Lc 1,35). Se ele é filho de Deus, ele também é Deus e Maria é sua Mãe, portanto Mãe de Deus. 

Isaías também escreveu o mesmo em Is 7,14. 3. Cheia do Espírito Santo, Santa Izabel saudou Maria dizendo: "Donde a mim esta dita de que a mãe do meu Senhor venha ter comigo"? (Lc 1,43) E Mãe de meu Senhor quer dizer Mãe do meu Deus, portanto Mãe de Deus. 4. São Paulo ainda escreveu: "Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei." (Gl. 4,4). São Paulo claramente afirma que uma mulher foi a Mãe do filho de Deus, portanto Mãe de Deus. 

Tendo a Sagrada Escritura seu berço na Igreja, portanto sendo menor que Ela, vemos como está de acordo com o ensino da mesma. 

A Doutrina dos Santos Padres 

Será que os Apóstolos de Cristo concordavam com a Maternidade Divina de Nossa Senhora? Pois segundo os protestantes, a Igreja Católica inventou a maternidade divina de Maria no século V durante o Concílio de Éfeso. 


Vejamos o que diz o Apóstolo Santo André: "Maria é Mãe de Deus, resplandecente de tanta pureza, e radiante de tanta beleza, que, abaixo de Deus, é impossível imaginar maior, na terra ou no céu". (Sto Andreas Apost. in trasitu B. V., apud Amad.) 



Veja agora o testemunho de São João Apóstolo: "Maria, é verdadeiramente Mãe de Deus, pois concebeu e gerou um verdadeiro Deus, deu a luz, não um simples homem como as outras mães, mas Deus unido à carne humana." (S. João Apost. Ibid) 




São Tiago: "Maria é Santíssima, a Imaculada, a gloriosíssima Mãe de Deus" (S. Jac. in Liturgia) 





São Dionísio Areopagita: "Maria é feita Mãe de Deus, para a salvação dos infelizes." (S. Dion. in revel. S. Brigit.) 





Orígenes escreveu: "Maria é Mãe de Deus, unigênito do Rei e criador de tudo o que existe" (Orig. Hom I, in divers. - Sec. II ) 




Santo Atanásio diz: "Maria é Mãe de Deus, completamente intacta e impoluta." (Sto. Ath. Or. in pur. B.V.) 






Santo Efrém: "Maria é Mãe de Deus sem culpa" (S. Ephre. in Thren. B.V.). 







São Jerônimo: "Maria é verdadeiramente Mãe de Deus" (S. Jerôn. in Serm. Ass. B.V.).








Santo Agostinho: "Maria é Mãe de Deus, feita pela mão de Deus" (S. Agost. in orat. ad heres.). 

Todos os Santos Padres afirmaram, em amor e veneração, a maternidade divina de Nossa Senhora. Cansaria citar todos os testemunhos primitivos. 

Agora uma surpresa para os protestantes. Lutero e Calvino sempre veneraram a Santíssima Virgem. Veja abaixo o testemunho dos pais da Reforma: 

"Quem são todas as mulheres, servos, senhores, príncipes, reis monarcas da Terra, comparados com a Virgem Maria que, nascida de descendência real (descendente do rei Davi) é, além disso, Mãe de Deus, a mulher mais sublime da Terra? Ela é, na cristandade inteira, o mais nobre tesouro depois de Cristo, a quem nunca poderemos exaltar o suficiente, a mais nobre imperatriz e rainha, exaltada e bendita acima de toda a nobreza, com sabedoria e santidade." (Martinho Lutero no comentário do Magnificat - cf. escritora evangélica M. Basilea Schlink, revista Jesus vive e é o Senhor). 

"Não há honra, nem beatitude, que se aproxime sequer, por sua elevação, da incomparável prerrogativa, superior a todas as outras, de ser a única pessoa humana que teve um Filho em comum com o Pai Celeste" (Martinho Lutero - Deutsche Schriften, 14,250). 

"Não podemos reconhecer as bênçãos que nos trouxe Jesus, sem reconhecer ao mesmo tempo quão imensamente Deus honrou e enriqueceu Maria, ao escolhê-la para Mãe de Deus." (Calvino - Comm. Sur I'Harm. Evang., 20) 

A negação da Maternidade divina de Nossa Senhora é uma negação à Verdade, é negar a Divindade de Cristo, é negar o ensino dos Apóstolos de Cristo. 

O Concílio Ecumênico de Éfeso 

Quando o heresiarca Ario divulgou o seu erro, negando a divindade da pessoa de Jesus Cristo, a Providência Divina fez aparecer o intrépido Santo Atanásio para confundí-lo, assim como fez surgir Santo Agostinho para suplantar o herege Pelágio, e São Cirilo de Alexandria para refutar os erros de Nestório, que haviam semeado a perturbação e a indignação no Oriente. 

Em 430, o Papa São Celestino I, num concílio de Roma, examinou a doutrina de Nestório que lhe fora apresentada por São Cirilo e condenou-a anti-católica, herética. 

São Cirilo formulou a condenação em doze proposições, chamadas os doze anátemas, em que resumia toda a doutrina católica a este respeito. 

Pode-se resumi-la em três pontos: 1. Em Jesus Cristo, o Filho do homem não é pessoalmente distinto do Filho de Deus; 2. A Virgem Santíssima é verdadeiramente a Mãe de Deus, por ser a Mãe de Jesus Cristo, que é Deus; 3. Em virtude da união hipostática, há comunicações de idiomas, isto é, denominações, propriedades e ações das duas naturezas em Jesus Cristo, que podem ser atribuídas à sua pessoa, de modo que se pode dizer: Deus morreu por nós, Deus salvou o mundo, Deus ressuscitou. 

Para exterminar completamente o erro, e restringir a unidade de doutrina ao mundo, o Papa resolveu reunir o Concílio de Éfeso (na Ásia Menor), em 431, convidando todos os bispos do mundo. Perto de 200 bispos, vindos de todas as partes do orbe, reuniram-se em Éfeso. São Cirilo presidiu a assembléia em nome do Papa. Nestório recusou comparecer perante aos bispos unidos. Desde a primeira sessão a heresia foi condenada. Sobre um trono, no centro da assembléia, os bispos colocaram o Santo Evangelho, para representar a assistência de Jesus Cristo, que prometera estar com a sua Igreja até a consumação dos séculos, espetáculo santo e imponente que desde então foi adotado em todos os concílios. Os bispos cercando o Evangelho e o representante do Papa, pronunciaram unânimes e simultaneamente a definição proclamando que Maria é verdadeiramente Mãe de Deus. Nestório deixou de ser, desde então, bispo de Constantinopla. Quando a multidão ansiosa que rodeava a Igreja de Santa Maria Maior, onde se reunia o concílio, soube da definição que proclamava Maria Mãe de Deus, num imenso brado ecoou a exclamação: "Viva Maria, Mãe de Deus! Foi vencido o inimigo da Virgem! Viva a grande, a augusta, a gloriosa Mãe de Deus!" 

Em memória desta solene definição, o concílio juntou à saudação angélica estas palavras simples e expressivas: "Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte".
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fonte:http://redemptionis-sacramentum.blogspot.com/2011/02/maria-mae-de-deus.html

quarta-feira, 2 de março de 2011

Transformaram o centro pastoral de parnamirim numa casa de show



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Para quem é católico e conhece a cidade de parnamirim essa noticia não estranha muito,já que a paróquia de parnamirim segue a “doutrina teologia da libertação”.como se já não bastasse as tantas heresias da teologia da libertação,a população agora tem que conviver com shows profanos realizado no salão paroquial.Salão esse que deveria ser utilizado na evangelização e na formação do povo católico,mas pra quem vive ao espelho de Leonardo Boff e frei Beto isso não surpreende.
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Fonte:Jornal Regional ano IV-n.85 - Grande Natal-segunda-feira 28 de fevereiro a 15 de março de 2011

terça-feira, 1 de março de 2011

O Cura d´Ars

Por Daniel-Rops
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O jovem pároco João Maria Batista Vianney não prometia sucessos retumbantes, mas ao ser nomeado para o vilarejo perdido de Ars, o seu imenso amor a Deus transformou a fundo não apenas os seus paroquianos, mas milhões de peregrinos da França inteira.
Era ao entardecer de 9 de fevereiro de 1818, uma terça-feira. Um pastorinho de dezesseis anos, Antoine Givre, que guardava as ovelhas na lande das Dombes, teve um encontro estranho, que havia de recordar durante toda a vida. Ia cair a noite. Já as luzes se acendiam nas janelas das casas, agrupadas a algumas centenas de metros, para além de um valado. Do lado da estrada de Lyon, o rapaz ouviu um barulho e olhou: era um padre que avançava a grandes passadas de camponês; a seu lado, uma velha de touca na cabeça; atrás deles, uma carriola vacilante, carregada de fardos e de uma misturada de coisas, no meio das quais se via uma cama de madeira. O padre saudou o pequeno e perguntou-lhe se ainda estava longe de uma aldeia chamada Ars. Antoine indicou com a mão o humílimo povoado que já se ocultava no crepúsculo. “Como é pequeno!”, murmurou o padre. E ajoelhou-se. Em silêncio, durante muito tempo, rezou, de olhos postos nas casas. Rezou com um fervor e uma atenção extraordinários. Dir-se-ia que via coisas de que os outros não faziam a menor idéia. Ao levantar-se, olhou para o rapaz e, com voz muito simples, disse: “Tu mostraste-me o caminho de Ars... Um dia hei de mostrar-te o caminho do Céu” 1. Em seguida, retomou a marcha. A capelania de Ars-en-Dombes – que não tinha mais de duzentas almas e estava subordinada à paróquia de Misérieux, da diocese de Lyon – recebia o seu novo encarregado.

(1) Antoine Givre morreu algumas semanas depois do Cura d´Ars.

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Chamava-se Jean-Marie Vianney. Nascera trinta e dois anos antes (1786), numa aldeia situada a umas dez léguas, Dardilly, onde os pais eram gente dedicada ao campo; e gente piedosa, como ainda havia tantos na França. Por curiosa coincidência, um dia sentara-se à mesa deles São Bento Labre, “o anjo andrajoso”, no decurso da sua grande peregrinação. Já aos sete anos, o pequeno Jean-Marie mostrara uma inclinação tão evidente para a oração que se falara de fazer dele frade ou padre. Levava para os campos onde guardava algumas vacas uma imagenzinha de Nossa Senhora, que colocava no buraco de um salgueiro para se ajoelhar diante dela. Com a Revolução, viera a grande caça aos padres. O pequeno tivera de aprender o catecismo às escondidas e de fazer a primeira comunhão clandestinamente, numa casa com a porta e as janelas fechadas. E o espetáculo da resistência do clero francês à perseguição acabara de enraizar nele a vocação religiosa. Mais ainda: uma vocação para o heroísmo, o sacrifício, a grandeza espiritual.
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Infelizmente, para ser padre e ter o direito e os meios de “ganhar almas para Deus”, não basta a boa vontade, não basta o impulso do coração: é preciso estudar, aprender latim, liturgia, teologia e tantas coisas mais! Nesse campo, Jean-Marie Vianney mostrara-se muito decepcionante. O seu cérebro, maravilhosamente capaz de fixar os fatos da vida prática e de penetrar nos seres, era radicalmente incapaz de armazenar as declinações latinas e as mais elementares noções de dogmática! Se não tivesse encontrado no seu caminho um homem para o compreender, não há dúvida de que nunca teria chegado a vencer os sucessivos obstáculos que o separavam do sacerdócio. Nos seminários de Verrières e, depois, no de Santo Ireneu, perto de Lyon, que fraca figura tinha feito o pobre pequeno! Mas M. Belley velara por ele, M. Belley, pároco de Ecully, abelha operária de uma dessas equipes de missionários que, em pleno Terror, o pe. Linsolas, vigário geral de Lyon, tivera a audácia de fundar. Graças a Belley, Jean-Marie conseguira receber o diaconado, em 1814, e, no ano seguinte (a 13 de agosto), a ordenação sacerdotal, na capela do Seminário Menor de Grenoble, algumas semanas depois da queda do Império. Coadjutor em Ecully, acabara de se preparar junto do seu mestre para uma existência sacerdotal inteiramente devotada às almas e também cheia de práticas de piedade e ascese: flagelações, jejuns, cilício. Era de Ecully que chegava, nesse entardecer brumoso de 9 de fevereiro de 1818, à minúscula aldeia de Ars. E lá iria ficar durante quarenta e um anos...
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Fisicamente, era um corpanzil rústico, de andar pesado, rosto alongado e magro, cujas “maçãs” se iam adelgaçando até ao queixo esguio, e em que o nariz ossudo despontava sobre uns lábios finos. O único dado apreciável dos seus traços sem graça eram os olhos, olhos de um azul-cinzento, de uma limpidez e uma capacidade de concentração igualmente extraordinárias. Mais tarde, quando estiver no auge da sua celebridade, uma toleirona burgue, , sa, vinda expressamente de Paris para admirar o grande homem, vendo-o assim, exclamará: “É só isto, o Cura d´Ars?!” Pois só isso, esse camponês bronco, mal vestido, com uma batina remendada e esverdeada à força de uso, esse homenzinho facilmente brincalhão e que se chamava a si próprio o burrinho ou o idiota da aldeia?! Como não deixar desconcertada uma parisiense! E essa reputação de ignorante, de caranguejo com orelhas de burro, que o seguia desde o seminário e que ele mesmo parecia cultivar com prazer...
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Mas a verdade desse homem não estava aí. É óbvio que era exatamente o contrário desse minus habens, desse “primário intelectual” de que falariam os redatores da Idée libre. A inteligência não se mede só pela dose de conhecimentos livrescos que pode assimilar, e, quanto a tudo o que pertencia à vida e não ao impresso, Jean-Marie Vianney era uma inteligência fora de série. E, sobretudo, havia nele alguma coisa superior à inteligência: uma forma de “ver as coisas do alto”, como disse o cardeal de Bonald, um dom de intuição que escapava a toda a lógica, mas que se revelava quase infalível, uma grandeza que se impunha ao interlocutor mais obtuso ou mais hostil: numa palavra, uma força soberana, a par da simplicidade mais natural e da mais autêntica humildade. “Para crer na presença do Sobrenatural – pôde alguém dizer dele –, basta olhá-lo”. Todos os que o viram deram o mesmo testemunho da sua irradiação espiritual, da misteriosa “aura” que rodeava o seu corpo sem prestígio. Uma palavra resume tudo sobre a realidade profunda que o sustentava. Foi dita pelo bispo de Belley, num dia em que alguns padres deploravam diante dele, cheios de compaixão, a ignorância do seu confrade, a nulidade que era em matéria de teologia e de casuística: “Não sei se ele é instruído; sei que é iluminado”.
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Assim era, pois, aquele que Ars-en-Dombes ia guardar durante quarenta e um anos seguidos, aquele que viria a identificar-se tão totalmente, tão plenamente, com essa ínfima aldeia, que iria como que ser absorvido por ela, perder até o nome de família a favor do seu pobre título, não ficando a ser, “tanto no futuro como no Céu”, nada mais que o Cura d´Ars 2. Quarenta e um anos, “e sempre contra vontade” – diz a excelente Catherine Lassagne, que o acompanhou no seu presbitério. Porque, torturado pela angústia de não ser digno da pesada missão de padre, esse humilde diante de Deus há de fugir da paróquia pelo menos três vezes, decidido a deixar o lugar “a alguém menos ignorante”, e serão os próprios paroquianos que o reterão, à custa de mil e uma astúcias. Quarenta e um anos de uma vida que, aparentemente, parecerá a mais banal, a mais monótona que se possa imaginar, mas na qual se desenrolará, num plano que já não pertence à terra, a aventura mística mais espantosa da sua época.

(2) Ars foi erigida em paróquia em 1821. Em 1823, integrou-se na diocese de Belley, quando esta foi reconstituída.

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Quando Jean-Marie chegou, Ars não passava da mais morna das comunidades cristãs. “Lá, não gostavam muito de Deus”. Mas, logo que viram como vivia o novo cura, os paroquianos compreenderam que alguma coisa tinha mudado. Começou por mandar restituir ao castelo os móveis confortáveis que a piedosa Mme. des Garets tinha emprestado ao presbitério. Depois, pôs-se a restaurar a igreja, que estava caindo aos pedaços, fazendo por suas próprias mãos “o trabalho doméstico de Deus”. A seguir, só se falava na aldeia de que o novo encarregado da capelania de Ars tinha um modo singularíssimo de alimentar-se: umas tantas côdeas de pão seco, uma panela de batatas, que mandava coser cada três semanas e que ia comendo frias. Por último, as boas mulheres que, de tempos a tempos, conseguiam penetrar na casa paroquial para cuidar dos trabalhos domésticos, contavam que encontravam roupa ensangüentada, manchas vermelhas nas paredes... E compreendeu-se então para que serviam as correntes que o padre mandara forjar na oficina do ferreiro. Esses jejuns, essas penitências – que o Cura d´Ars conservará durante toda a vida – fizeram tanto maior impressão quanto a verdade é que essa terrível ascese não impedia M. Vianney de ser de uma delicadeza, de uma mansidão perfeitas, sem querer impor a ninguém os golpes de disciplina que a si mesmo infligia – e que nem uma só vez deixou transparecer. Quando, porém, este ou aquele se permitia aludir aos rigores que ele aplicava ao seu corpo, respondia com o melhor dos sorrisos que era coisa muito apropriada para “o velho Adão” ou “o cadáver”...
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Poder do exemplo: foi, indubitavelmente, por aí que Jean-Marie Vianney se impôs: primeiro, às suas ovelhas; depois, a outras. Pouco a pouco, a paróquia transformou-se. Homens, mulheres, crianças foram agrupados em confrarias ou obras. Abriu-se uma escola gratuita, a “Casa da Providência”, aonde afluíram as meninas, incluindo as órfãs, as abandonadas, as desafortunadas. Os maus hábitos, como o do baile e da taberna, contra os quais o padre era severo, foram desaparecendo da paróquia. Para não o desgostarem, os moços e as moças menos recatados refreavam o seu comportamento. “O respeito humano voltou-se do avesso”, e passou a ser tão vergonhoso apanhar uma bebedeira como o era, na véspera, não beber com os outros. A igreja, ainda ontem meio vazia, encheu-se e, como a gente dos arredores ganhou o costume de a freqüentar, passou a ser pequena. Quem havia de prever semelhante mudança, quando, meia dúzia de anos antes, o arcebispo encarara seriamente a hipótese de suprimir a paróquia?
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E, no entanto, Jean-Marie Vianney não era grande orador; o que servia aos seus ouvintes não eram grandes trechos de eloqüência. Tinha a voz gutural; tendia a gritar; muitas vezes perdia o fio do discurso, parava e depois retomava a palavra fosse lá como fosse; por fim, como não sabia como acabar, cortava o sermão e descia do púlpito subitamente. Quanto à matéria dos sermões, nada tinha de original. O mesmo se diga da catequese, que dava a crianças e adultos várias vezes por semana. Não tinha escrúpulo em ir buscar material às coletâneas de Bonnardel, de Joly, de Billot, do pe. Lejeune, sermonários de largo uso na época, assim como ao catecismo do campo. Copiava um parágrafo aqui, outro acolá, harmonizava-os conforme podia; mas, sobre todo esse mosaico, punha a sua marca, transformando as frases excessivamente bem construídas em fórmulas simples, populares, com comparações e imagens que impressionavam o ouvinte. Por exemplo: para mostrar a ação do pecado na alma, comparava-o a uma mancha de azeite num pano de lã: mesmo que a lavemos dez vezes, não sai! E, ao passarem pelos seus lábios – todos os que o ouviram concordam nisto –, esses pobres sermões ganhavam um poder de sugestão extraordinário. Podia anunciar os castigos do Juízo Final, ou falar interminavelmente do amor de Deus pelos homens, da sua infinita misericórdia, que encontrava sempre, como por instinto, as palavras que iam até ao fundo das almas. E que dom de descobrir fórmulas! Pelo menos uma delas ficou a pertencer ao mais raro florilégio do pensamento cristão. Ouvindo certo dia uma viúva que estava angustiada porque o marido se tinha lançado ao rio e se afogara, e que tremia convencida de que ele se condenara, que lhe respondeu o Cura de Ars? Simplesmente isto: “Entre a ponte e a água, houve tempo para o arrependimento e o perdão”. Entre a ponte e a água...
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Era assim o padre que a aldeia de Ars conservou por quarenta e um anos. O padre. E esta única palavra diz tudo. Porque Jean-Marie Vianney não foi senão um padre, um simples padre, todo ele entregue às almas, devorado pela sua missão, integralmente fiel à sua vocação. Nada mais que isso; nada menos que isso. Mas esse sacerdócio, que estivera a ponto de lhe ser recusado, fê-lo ele subir a um nível tão alto que se revelou inigualável. Nunca ninguém falou melhor que ele acerca do padre, da grandeza da sua função, do seu papel sobrenatural. “Ah! Como o padre é qualquer coisa de grande! O padre só poderá ser compreendido no Céu. Se o compreendêssemos neste mundo, morreríamos – não de terror, mas de amor... Depois de Deus, o padre é tudo! Deixai uma paróquia vinte anos sem padre: hão de adorar os animais!”
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Mas também ninguém disse melhor que ele o que há de terrível para um homem em ser depositário do poder de Deus, em ter o direito de absolver e o de fazer o próprio Deus descer à hóstia. “Como é terrível ser padre!” – repetia muitas vezes –, e o seu rosto inundava-se de lágrimas. “Como é de lamentar um padre quando diz missa como coisa banal... Oh!, como é infeliz um padre a quem falte interioridade!” Um padre. Apenas padre. Aí reside o caráter extraordinário da sua aventura. Foi só por não ter sido nada mais que padre que Jean-Marie Vianney se tornou uma glória da terra, antes de ser um santo.
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Sim. Pouco a pouco, ou melhor, bem depressa, o renome do Cura d´Ars transbordou do quadro estreito da sua minúscula paróquia. Chamavam-no aqui, ali, acolá, para falar, para confessar. E, sobretudo, espontaneamente, havia homens e mulheres que se lançavam à estrada, por terem ouvido dizer que, algures nos Dombes, numa aldeia perdida, havia um padre que falava de Deus, confessava, confortava. Menos de dez anos depois de ter chegado, a corrente de peregrinos que afluía a Ars tomara a força de um acontecimento, não somente regional, mas nacional e internacional. Calcula-se em 80.000, em média, os peregrinos que, ano após ano, e durante trinta anos, se sucederam em Ars. No último ano, que foi o da morte do santo, foram para cima de 100.000. A aldeia mais que duplicou. À volta da igreja, conforme se vê nas gravuras da época, multiplicaram-se as “pensões burguesas” e as lojas onde se vendiam objetos de devoção.
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Quem eram esses que acorriam a Ars? Vinham de todos os países, pertenciam a todas as classes sociais. Aquele a quem os companheiros de seminário chamavam pobre de espírito, aquele de quem alguns colegas de sacerdócio troçavam por ser intelectualmente nulo, era procurado por homens notáveis que o vinham consultar: intelectuais de alto nível, almas comprovadamente espirituais, como, por exemplo, o pe. Lacordaire, preocupado com o futuro da sua Ordem, ou o pe. Chevrier, fundador, em Lyon, do Prado, ou o pe. Muard, que iria fundar os beneditinos da Pierre-qui-Vire, ou mons. Ségur, o bispo cego, ou mons. Ullathorne, inglês convertido, discípulo de Wiseman, por este enviado a Roma para resolver a questão do restabelecimento da Hierarquia na Inglaterra e que parou em Ars e chegou a pensar em nunca mais sair de lá... Não havia ninguém que não se retirasse consolado, encorajado, guiado. Ninguém que não pudesse dizer, como certo humilde vinhateiro do Mâcon: “Vi Deus num homem”.
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Esse prodigioso afluxo teve, para o Cura d´Ars, uma conseqüência penosa. A sua vida tornou-se a vida de um forçado de Cristo, noite e dia preso a uma tarefa cuja amplitude ia além das forças humanas. É certo que lhe tinham dado um auxiliar, que, de resto, pelo seu temperamento, foi para ele, muita vez, ocasião de penitências suplementares... E até se constituiu um grupo de missionários destinado a ajudá-lo. Mas era ele, só ele, quem os inúmeros fiéis queriam ver; só a ele queriam confiar as suas misérias; só dele esperavam esperança e paz.
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Então, devorado pelo zelo das almas, Jean-Marie Vianney fez-se escravo do confessionário. Nessa pequena caixa de madeira em que no inverno gelava e no verão abafava, passava horas, dias, meses, anos inteiros... Chegou a ficar lá dezoito horas seguidas! Também chegou a desmaiar, sufocado com a falta de ar e o mau cheiro. Os dias eram para ele “regulados como uma pauta de música”. Pouco depois da meia noite, ia para a igreja, de lanterna na mão. Já a multidão o esperava à porta e logo começava o desfile. Foi preciso organizar um serviço de ordem! As mulheres eram atendidas no confessionário, que ficava numa capela lateral. Os homens que não gostavam de ser vistos iam à sacristia. Os padres – o próprio bispo de Belley – ajoelhavam-se por trás do altar-mor. Quer a confissão fosse longa ou curta, a exortação do padre era sempre breve, mas bastava para que o penitente ficasse transtornado e, muitas vezes, se retirasse de rosto banhado em lágrimas. Nesse desenrolar atrozmente monótono de feios pecados, de impurezas grandes ou pequenas, só duas interrupções: uma, para a missa, pelas quatro da manhã; outra, para o catecismo, às onze. E isso durou mais de trinta anos...
.Semelhante heroísmo seria ainda deste mundo? À volta desse homem de Deus, o sobrenatural surgia em tudo. Uma coisa era certa: ele tinha o dom de ler nos corações. Bem o descobriam à sua custa aqueles que tentavam trapacear com Deus, calar pesadas faltas, diminuir um pouco a conta dos anos em que não se tinham confessado: com um olhar, o padre trespassava-os como um raio de luz, e, em duas palavras, situava-os diante da triste verdade da sua miséria.
Veria ele ainda mais alguma coisa, outras realidades? Ferozmente mudo sobre este ponto, fugindo a todas as perguntas, recusava-se a dizer se era verdade que tivera visões de Nossa Senhora, de São João Batista, de alguns outros santos talvez, como insistentemente se dizia. “Uma impressão que tive muitas vezes – diz um dos seus íntimos, que freqüentemente o ajudava à missa – é que ele via aquilo que adorava”. Mas havia outro capítulo sobre o qual o santo era um pouco mais loquaz: o da luta terrível, que, por mais de trinta anos, sustentou com o adversário, o próprio Satanás, a quem chamava, com um termo saboroso, “le grappin” [“a fisga”], e que reconhecia ter encontrado tanta vez que eram “como dois velhos camaradas”. Quanto aos seus milagres, dos quais o processo de canonização consideraria uns trinta, todos eles tinham um ar de simplicidade que devemos dizer evangélica: multiplicação do pão para o orfanato da paróquia, cura de enfermos, leituras do futuro. Em todos eles se encontrava, como diziam os cristãos da primitiva Igreja, “o bom odor de Cristo”.
.A glória humana acompanhou essa glória celeste, singularmente manifestada na terra. Os peregrinos de Ars difundiam-na ao longe e ao largo, de modo que vinham pelas estradas das Dombes curiosos, até descrentes, que, na maior parte dos casos, de lá voltavam adivinhados, confusos, demudados. A imprensa falava. Nas lojas próximas da igreja, vendiam-se estampas com a figura do santo cura, o que bastava para o fazer zangar-se: “É o meu carnaval”, dizia ele, mostrando-as. Pôs no olho da rua o escultor que teve a imprudente audácia de lhe pedir licença para fazer a sua estátua. Quando o bispo lhe enviou a murça de cônego honorário, o santo agradeceu-lhe muito amavelmente, mas logo vendeu o inútil ornamento e pôs o dinheiro ao serviço dos pobres. Quanto à Legião de Honra que o sub-prefeito de Trévoux conseguiu para ele, recusou-se evidentemente a colocá-la ao peito e imediatamente a deu de presente, visto que era um objeto sem valor comercial e inútil para as suas obras de caridade. Nada lhe iria faltar para entrar na lenda em vida. Nada: nem sequer a ácida inveja de alguns dos seus confrades, ou a gritaria daqueles a quem incomodava, ou até as cartas anônimas e as injúrias. A todos os ataques respondia afirmando que os piores tratamentos eram ainda suaves demais para um asno e um pecador da sua laia, o que deixava envergonhados os cínicos.
.Nos últimos dias de julho de 1859, a morte, cuja chegada anunciara, veio arrancá-lo por fim à sua tarefa sem medida. Morreu na noite de 3 de agosto, de olhos voltados para o Céu, “com uma expressão extraordinária de fé e de felicidade”, no dizer de uma testemunha. E logo acorreram multidões, massas imensas de gente, em que se misturavam os ricos e os pobres, entre eles o novo bispo de Belley, que se deslocou a pé desde Meximieux, a quarenta quilômetros, “sem fôlego, comovido, rezando em voz alta”. Ars bem sabia que tinha acabado de perder um santo3.

(3) João Maria Vianney foi proclamado Venerável por Pio IX (1872), beatificado por São Pio X (1905) e canonizado por Pio XI (1925), que o declarou Padroeiro de todos os párocos do mundo em 1929.

 Fonte: HI-VIII - A Igreja das Revoluções (I). Quadrante. São Paulo:2003. Págs. 750-758.

Bebê condenado à morte no Canadá

por : Wagner Moura



Um tribunal canadense ordenou aos médicos que retirem – sem o consentimento dos pais, inclusive – o tubo de respiração que mantém vivo o bebê de 13 meses, Joseph Maraachli – em estado vegetativo. Caso acatem a ordem judicial, nesta segunda-feira, 28 de fevereiro, o bebê poderá enfrentar uma morte violenta por asfixia. Seus pais, Moe e Sana Maraachli, pediram aos médicos que pratiquem uma traqueotomia no bebê para levá-lo para casa e dar-lhe a oportunidade de lutar por sua vida, mas o hospital negou-se a fazer o procedimento alegando que seria muito arriscado e dolorido.
O bebê sofre de uma doença degenerativa que não tem cura e está hospitalizado no London’s Victoria, em Ontário, no Canadá, desde outubro de 2010. Na semana passada a justiça canadense decidiu que o tubo de respiração do bebê deve ser retirado às 10h da manhã de hoje – horário de Ontário. Os pais correm contra o tempo para transferir o bebê para um hospital nos Estados Unidos ou pelo menos conseguir levar o bebê para casa.
Você está entendendo? Os médicos analisaram o quadro do pequeno Joseph e decidiram que é caso de eutanásia! Esse é o verdadeiro nome por trás de tanta “misericórdia” pela vida de Joseph! Sequer consultaram os familiares do paciente. Decidiram e pronto! E os pais da criança que se virem, que corram contra o tempo para tentar impedir que matem o filho deles.
Eu entendo que a medicina não consiga curar Joseph! Os pais dele também entendem. O que eles querem é que o filho possa viver enquanto puder. A vida de Joseph não está sendo prolongada artificialmente, ele não está morto! Quantos casos de pessoas “vegetativas” que passam anos nesse estado e de repente reagem? Ora, o bebê respira sozinho, mas precisa do suporte do equipamento para conseguir manter a respiração.
É assustador como um governo e seus médicos podem ter tanto poder sobre a vida (e a morte!) de uma pessoa. Oremos pelo pequeno Joseph e quem puder apoie a comunidade Save baby Joseph, no Facebook.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A Cruz e o Crucifixo

  • por :Fulton J. Sheen
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A primeira questão a ser introduzida na história do mundo e a qual nos trouxe tanta dor e inimizade foi: "POR QUE?".
Satanás foi o primeiro a levantar essa questão... "Mas por que Deus proibiu-lhes de comer do fruto de todas as árvores do Jardim?" (cf. Gn 3,1). Desde aquele dia até hoje nossas pobres mentes já formularam muitos "por quês", mas nenhum tanto quanto esse: "Por que existe a dor no mundo? Por que as pessoas tem que sofrer tanto? Por que a alegria é tão pouca e o sofrimento tanto?"
Esse problema da dor tem um símbolo e o símbolo é a cruz. Mas por que seria a cruz o símbolo perfeito do sofrimento? Porque ela é feita de duas barras: uma horizontal e outra vertical. A barra horizontal é a barra da morte... é como a linha da morte nos eletro-encefalogramas: reta, prostrada. A barra vertical é a barra da vida: erecta, de pé, inclinada para o alto. O cruzamento de uma barra sobre a outra significa a contradição entre a vida e a morte, entre a alegria e o sofrimento, sorriso e lágrimas, prazer e dor, nossa vontade e a vontade de Deus.
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O único modo de se fazer uma cruz é sobrepor a barra da alegria sobre a barra do sofrimento. Em outras palavras: nossa vontade é a barra horizontal, enquanto a vontade de Deus é a barra vertical, na medida em que nós sobrepomos nossos desejos e nossas vontades contra a vontade de Deus, formamos assim uma cruz. Desse modo, a cruz se torna o símbolo da dor e do sofrimento.
Todavia, se a cruz é o símbolo perfeito do problema da dor, o Crucifixo então é a sua solução. A diferença entre a cruz e o Crucifixo é Cristo. Uma vez que Nosso Senhor, que é por si só o Amor, sobe na cruz, Ele nos revela como o amor pode ser transformado pelo amor num alegre sacrifício, como aqueles que semeiam em lágrimas podem colher com alegria, como aqueles que choram podem ser confortados, como aqueles que sofrem com Ele podem também reinar com Ele e como aqueles que carregam suas cruzes por uma breve Sexta Feira da Paixão possuirão a felicidade por um eterno Domingo de Ressurreição. O Amor é o ponto de intersecção onde a barra horizontal da morte e a barra vertical da vida reconciliam-se na doutrina de que toda a vida vem através da morte.
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É aqui que a solução de Nosso Senhor se diferencia de todas as outras soluções para o problema da dor... até mesmo daquelas pseudo-soluções que se mascaram sob o nome de "cristãs". O mundo tenta resolver o problema da dor de duas maneiras: ou negando-o ou tentanto torná-lo insolúvel. O problema da dor é negado por um peculiar processo de auto-hipnotismo que costuma inculcar nas pessoas a idéia de que a dor é imaginária. Tenta-se torná-lo insolúvel através de uma tentativa de fuga e por essa razão o homem moderno sente que é melhor pecar do que sofrer. Nosso Senhor, ao contrário, não nega a dor e nem tenta escapar dela. Ele a encara e ao agir assim Ele nos prova que o sofrimento não é alheio nem mesmo ao Deus que se fez homem.
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Vemos assim que a dor desempenha um papel definitivo na vida. É sem dúvida um fato marcante que nossas sensibilidades são mais desenvolvidas para a dor do que para o prazer e nossa capacidade de sofrer excede nossa capacidade de alegrarmo-nos. O prazer cresce até chegar a um ponto de saciedade e nós sentimos que se passasse daquele ponto se tornaria uma verdadeira tortura. A dor, ao contrário, continua crescendo e crescendo mesmo quando já choramos "o bastante". Ela atinge um ponto em que nós sentimos que não poderíamos mais suportar e ela vai se descarregando até matar.
Eu penso que o motivo pelo qual nós possuímos mais capacidade para a dor do que para o prazer é porque talvez Deus pretendia que aqueles que levam uma vida moral correta deveriam beber até a última gota do cálice da amargura aqui nesse mundo porque no Céu não existe mais amargor. Por outro lado aqueles que são moralmente bons nunca gozam o máximo do prazer aqui embaixo porque sabem que uma felicidade muito maior os aguarda no Céu. Mas deixando de lado as conjecturas, seja lá qual for a razão, a verdade que permanece é que na cruz Nosso Senhor demonstra um tipo de Amor que não pode tomar outra forma quando é contraposto ao mal, senão a forma de dor.
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Para vencer o mal com o bem, uma pessoa deve sofrer injustamente. A lição do Crucifixo então é que a dor nunca pode ser separada ou isolada do amor. O Crucifixo não significa dor; significa sacrifício. Em outras palavras, ele nos diz em primeiro lugar que dor é sacrifício sem amor e em segundo, que sacrifício é dor com amor.
Primeiro, dor é sacrifício sem amor. A Crucifixão não é a glorificação da dor pela dor. A atitude cristã da mortificação algumas vezes é mal interpretada como sendo uma idealização da dor... como se nos tornássemos mais agradáveis a Deus quando sofremos do que quando nos alegramos.
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Não! A dor em si mesma não possui nenhuma influência santificante! O efeito natural da dor é nos individualizar, centralizar nossos pensamentos em nós mesmos e fazer de nossa enfermidade o pretexto pra tudo quanto é conforto e atenção. Todas as aflições do corpo, tais como penitências e mortificações em si mesmo não tendem tornar o homem melhor. Aliás, frequentemente tornam o homem pior. Quando a dor é divorciada do amor ela leva o homem a desejar que os outros estejam como ele está, ela o torna cruel, cheio de ódio, amargura. Quando a dor não é santificada, ela deixa cicatrizes, queima todas as mais finas sensibilidades da alma deixando-a brutalmente desfigurada. Dor como simples dor então não é um ideal: torna-se uma maldição quando é separada do amor, pois ao invés de tornar uma alma melhor a torna pior.
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Agora contemplemos o outro lado da figura. A dor não é pra ser negada e nem pra fugirmos dela. É pra ser encarada com amor e vivida como sacrifício. Analise sua própria experiência e verá que muitas vezes seu coração e mente lhe dizem que o amor é capaz de superar de algum modo seus sentimentos naturais acerca da dor, que algumas coisas que poderiam parecer dolorosas tornam-se alegria quando você percebe que podem beneficiar o próximo.
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Em outras palavras, o amor pode transformar a dor em sacrifício agradável, o que é sempre uma alegria. Se você perde por exemplo, uma certa quantidade de dinheiro, tal perda não poderia ser aliviada pela compreensão de que talvez aquele dinheiro foi encontrado por uma pobre alma que tinha mais necessidade do que você? Se sua cabeça está latejando de dor e seu corpo extenuado por uma noite de vigília ao lado da cama de seu filho doente, não seria essa dor aliviada pelo pensamento de que foi através desse amor e devoção que aquela criança conseguiu superar a enfermidade? Você jamais poderia ter sentido aquela alegria e nem ter tido a mínima idéia do tamanho do seu amor se você tivesse se negado a fazer aquele sacrifício. E se o seu amor não estivesse presente, então aquele sacrifício teria sido apenas dor, incômodo e aborrecimento.
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A verdade gradualmente emerge quando percebemos que a nossa profunda felicidade consiste no sentimento de que o bem ou benefício do próximo foi conquistado através do nosso sacrifício. O motivo por que a dor é amarga é porque não temos ninguém para amar e por quem nós deveríamos sofrer. O amor é a única força do mundo que pode tornar a dor suportável e a faz mais do que suportável ao transformá-la na alegria do sacrifício.
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Agora, se a escória da dor pode ser transformada no ouro do sacrifício pela alquimia do amor, então daí se segue que nosso amor se torna mais profundo, a sensação de dor diminui e cresce nossa alegria no sacrifício. Mas não podemos esquecer que não existe amor maior do que o amor Daquele que entregou Sua própria vida por Seus amigos. Portanto, quanto mais intensamente nós amarmos os Seus santos propósitos, quanto mais zelosos formos por Seu Reino, quanto mais devotados formos pela maior Glória de Nosso Senhor e Salvador, mais nos alegraremos em qualquer sacrifício que possa trazer uma só alma para seu Sacratíssimo Coração. Tal é o motivo pelo qual São Paulo se gloriava em suas enfermidades e alegrias e que os Apóstolos se alegravam quando podiam sofrer por Jesus por quem eles tanto amavam.
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Não é de se admirar que os maiores santos sempre disseram que a melhor e maior das graças que Deus havia concedido-lhes era o mesmo privilégio concedido ao seu Divino Filho: ser usado e sacrifícado por uma causa mais elevada. Nada poderia dar-lhes maior satisfação do que renovar a vida de Cristo em suas próprias vidas, cobrir seus corpos com os mesmos sofrimentos sofridos por Cristo em Sua dolorosa Paixão. O mundo tenta eliminar a dor. O Crucifixo a transforma através do amor recordando-nos que a dor vem do pecado enquanto o sacrifício vem do amor e que não há nada mais nobre do que o sacrifício.
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O Mundo não pode dispensar o Cristo em Sua Cruz. Eis o motivo porque o mundo é triste: por que se esqueceram de Cristo e da Sua Paixão. E quanto desperdício de dor há neste mundo! Quantas cabeças que padecem dos mais diversos tipos de dor sem jamais terem se unido à Cabeça coroada de espinhos pela Redenção do mundo; quantos pés latejam de dor sem jamais terem se aliviado pelo amor Daquele cujos pés subiram descalços a colina do Calvário; quantos corpos feridos existem que não conhecem o amor de Cristo por eles. Esses não conhecem o amor que pode aliviar suas dores. Quantos corações que sofrem e padecem porque não possuem aquele amor do Sacratíssimo Coração; quantas almas que só conseguem enxergar a cruz ao invés do Crucifixo! Almas que possuem dor sem sacrifício, almas que nunca aprendem que é pela falta de amor que a dor cresce, almas que perdem a alegria do sacrifício porque não sabem o que é amar. Oh! Quão doce é o sacrifício daqueles que sofrem porque amam o Amor que sacrificou-se por eles numa cruz. Apenas para essas almas é possível compreender os santos propósitos de Deus, apenas aqueles que caminham pela noite escura são capazes de contemplar as estrelas.
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fonte:Publicado originalmente no site AgnusDei .Tradução de Gercione Lima.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Universidade Harvard dá razão ao Papa na luta contra AIDS






Estudo realizado a partir do caso do Zimbábue
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ROMA, sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011 (ZENIT.org) - Um estudo realizado pela Universidade Harvard deu razão à posição de Bento XVI sobre a AIDS, afirmando que um comportamento sexual responsável e a fidelidade ao próprio cônjuge foram fatores que determinaram uma drástica diminuição da epidemia no Zimbábue.
Quem explica, em sua última pesquisa, é Daniel Halperin, do Departamento de Saúde Global da População da universidade norte-americana, que, desde 1998, estuda as dinâmicas sociais que causam a disseminação de doenças sexualmente transmissíveis nos países em vias de desenvolvimento.
Halperin usou dados estatísticos e análises sobre o estudo de campo, tais como entrevistas e focus group, o que lhe permitiu coletar depoimentos de pessoas que pertencem a grupos sociais mais desfavorecidos.
A tendência de dez anos é evidente: de 1997 a 2007, a taxa de infecção entre adultos diminuiu de 29% a 16%. Após sua pesquisa, Halperin não hesita em afirmar: a repentina e clara diminuição da incidência de AIDS se deve "à redução de comportamentos de risco, como sexo fora do casamento, com prostitutas e esporádico".
O estudo, publicado em PloSMedicine.org, foi financiado pela Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional, da qual Halperin foi conselheiro, e pelo Fundo das Nações Unidas para a População e Desenvolvimento.
"Com este estudo, Halperin promove uma reflexão séria e honesta sobre as políticas até agora adotadas pelas principais agências de combate à AIDS nos países em desenvolvimento", afirma o jornal L'Osservatore Romano, ao dar a notícia, em sua edição de 26 de fevereiro.
Segundo o estudo, fica claro que a drástica mudança no comportamento sexual da população do Zimbábue "recebeu o apoio de programas de prevenção na mídia e de projetos educativos patrocinados pelas igrejas".
Poucos anos atrás, Halperin se perguntava como é possível que as políticas de prevenção "mais significativas tenham sido feitas até agora baseando-se em evidências extremamente fracas", ou seja, na ineficácia dos preservativos.
Em suma, segundo o estudo de Halperin, é necessário "ensinar a evitar a promiscuidade e promover a fidelidade", apoiando iniciativas que visem a construir na sociedade afetada pela AIDS uma nova cultura.
Como disse Bento XVI, é necessário promover uma "humanização da sexualidade".
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.fonte:http://www.zenit.org/article-27357?l=portuguese

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

João Paulo II operava milagres em vida

O jornal espanhol La Razón recolheu na edição de 2 de dezembro, uma série de curas milagrosas atribuídas à intercessão do Papa João Paulo II quando estava vivo e que por pedido do recordado Pontífice, nunca foram difundidas nem admitidas publicamente.

Há poucos dias, estando de visita na Argentina o ex-secretário de João Paulo II e hoje Arcebispo de Cracovia, Cardeal Stanislaw Dziwisz, reconheceu ante os jornalistas que durante a vida de João Paulo II houveram fatos inexplicáveis que se mantiveram sob discrição porque ele mesmo o tinha proibido.

Segundo La Razón, possivelmente o primeiro milagre do Papa João Paulo II foi o da mãe de família inglesa Kay Kelly ocorrido em março de 1979. Tinha dedicado muitos anos a juntar dinheiro para os doentes de câncer e ela mesma contraiu a enfermidade.

Viajou a Roma com uns bilhetes, presente dos Cavaleiros de Colombo por seu trabalho solidário, aí participou de uma reunião semi-privada com o Papa e outros doentes. "Falaram, ele assinou uma foto para seu filho, abraçou-a e lhe disse: «Estou muito orgulhoso de você, você é uma mãe maravilhosa». Quando voltou para Liverpool, seu câncer tinha desaparecido", recorda La Razón recolhendo testemunhos da causa de beatificação e livros de vaticanistas como "Santo Subito" de Andrea Tornielli ou "Milagres de João Paulo II" do polonês Pawel Zuchniewicz.

Este último recolhe também casos recentes como o um adolescente polonês de nome Rafal, a quem recebeu em 1 de julho de 2004. O jovem, procedente do Lubaczow, padecia de um linfoma incurável que desapareceu justo depois de sua audiência privada com o Pontífice.

Além disso, sustenta que "na Jornada Mundial da Juventude de Toronto, em 2002, o Papa rezou por Angela Baronni, de 16 anos, com câncer de ossos; impôs-lhe as mãos e fez nela o sinal da cruz. Desapareceu todo rastro do câncer".

"Em 1980, o australiano Emil Barbar, de 29 anos, com uma paralisia cerebral que o impedia de caminhar e dificultava a fala, chamou a atenção de João Paulo II durante uma audiência com doentes na praça de São Pedro. O Papa o beijou na cabeça. Sua mãe chorava. «Levem-no a Lourdes, e verá que ele caminhará», disse o Pontífice, e deu-lhes de presente uma cruz e um terço. Emil se banhou na piscina do santuário de Lourdes e seis semanas depois caminhava", acrescenta o jornal espanhol.

Do mesmo modo, afirma que "há vários testemunhos de mulheres que dizem que a oração do Papa as ajudou a conceberem ou darem à luz. Uma católica da China radicada em Vancouver, Canadá, a senhora Lieu, acudiu como peregrina a Roma depois de ter sofrido três abortos naturais. Em uma audiência contou ao Papa seu problema. Ele disse que ela teria um filho e fez o sinal da cruz em sua cabeça. Ao voltar para o Canadá, comprovou que estava grávida, o menino nasceu bem e se chamou João Paulo Lieu. Nos testemunhos da causa há outros similares".

O jornal também recolhe o caso do mexicano Heron Badillo, filho do político esquerdista Felipe Badillo. "Tinha cinco anos e estava doente de leucemia quando o apresentaram ao Papa em Zacatecas, no norte do México, em 12 de maio de 1990. Ele se desviou do seu trajeto para impor-lhe as mãos e o beijou. O menino, depois de 15 dias de rejeitar alimentos, começou a comer, e desapareceu sua doença".

La Razón também recorda ao Cardeal italiano Francesco Marchisano, amigo pessoal do Papa. No ano 2000, o Cardeal logo que podia falar por um engano ao ser operado da carótida. "O Papa o acariciou na zona operada. «O Senhor te devolverá a voz. Eu rezarei por ti», disse-lhe. Pouco depois ficou curado".

"Outro caso documentado é o da freira colombiana Ofelia Trespalacios. Sofria desde os 20 anos de uma doença que lhe causava desmaios e paralisia. Em 1984, em uma audiência em Roma, o Papa pôs as mãos sobre a face da religiosa e orou por ela. Abençoou-a e sorriu. A enfermidade da mulher desapareceu por completo", conclui La Razón.
 
Diante disso, só podemos dizer: João Paulo II, intercedei por nós.